ESTUDO COMPARATIVO DO PERFIL DE CEFALÉIA SEGUNDO O SEXO EM USUÁRIOS DA INTERNET NO PERÍODO DE 1997 A 1998

PICCHI, J.B.; SIMONE, R.S.; FUKUTAKI, F.M.; MARTORI, A.H.; PELÁ, A.B.; SILVA, T.J.; FERRETTI, L.E.A.; INOUE, S.S.;GALINDO, C.; ALVES, P.P.; SANTOS, P.V.; MELGES, L.D.M.; CORRÊA, M.E.S.H.

Faculdade de Medicina de Marília, Marília-SP.

 

ABSTRACT

COMPARATIVE STUDY OF HEADACHE PROFILE ACCORDING TO SEX IN INTERNET USERS, 1997-1998.

The purpose of this study was to verify the existence of differences in headache features in Internet users according to sex. The site of Marília Headache League was accessed by 143 persons of different nationalities in the period of March, 1997 to February, 1998. These persons answered a questionnary which investigated the headache profile based on International Headache Society (IHS) criteria. Were from women 62,2% of the total received answers and 37,8% were from men. Among men, 35,2% presented bilateral pain and 35,2%, variable unilateral pain; 33,3% had pulsatile pain and 29,6%, a shooting pain. In a 1 to 10 score, the mean attributed to the pain intensity was 7,9. Among women, 47,2% presented bilaterality and 20,2%, variable unilaterality; 30,3% had pulsatile pain and 23,6%, shooting pain. The pain intensity mean was 7,6. Photophobia was the most mentioned accompanying factor in both sexes. The aggravating factors incidence was greater in females than in males (92,1% and 77,8%, respectively); the main ones were noise and emotional tension. The analysis of results showed that 42,7% of answers were fitted in IHS criteria for migraine and tension type headache; from these, 23,0% were diagnosed as migraine without aura, 47,5% as migraine with aura and 29,5% as tension type headache (episodic or chronic). There was a predominance of females in cases of migraine (57,1% in migraine without aura and 65,5% in migraine with aura). This female predominance was also observed in tension type headache case (77,8%). The difference between sexes as for type of headache is not, however, statistically significative. In conclusion, the Internet users have a similar headache profile in relation to sex, even though a larger number of women had answered the questionnaire.

 

RESUMO

O propósito deste trabalho foi verificar a existência de diferenças nas características da Cefaléia em usuários da Internet segundo o sexo. O site da Liga de Cefaléia de Marília foi acessado por 143 pessoas de diferentes nacionalidades no período de março de 97 a fevereiro de 98. Estas pessoas responderam a um formulário que investigava o perfil da dor de cabeça baseado em critérios da Sociedade Internacional de Cefaléia (IHS) de 1988. Do total de respostas enviadas, 62,2% eram de mulheres e 37,8%, de homens. Entre os homens, 35,2% apresentaram dor bilateral e a mesma porcentagem, unilateral variável; 33,3% tiveram dor pulsátil e 29,6%, em pontada. Em uma escala de 1 a 10, a média atribuída à intensidade da dor foi de 7,9. Já as mulheres apresentaram 47,2% de bilateralidade e 20,2% de unilateralidade variável; 30,3% tiveram dor pulsátil e 23,6%, em pontada. A média de intensidade da dor foi de 7,6. A fotofobia foi o fator acompanhante mais citado em ambos os sexos. A incidência de fatores agravantes foi maior no sexo feminino do que no masculino (92,1 e 77,8%, respectivamente), destacando-se barulho e tensão emocional. A análise dos resultados mostrou que 42,7% das respostas se enquadraram nos critérios da IHS para Migrânea e Cefaléia Tensional, sendo 23,0% destas diagnosticadas como migrânea sem aura, 47,5% como migrânea com aura e 29,5% como tensional (episódica ou crônica). Nos casos de migrânea houve um predomínio do sexo feminino, com 57,1% na migrânea sem aura e 65,5% na com aura. Esta predominância feminina também foi observada nos casos de cefaléia tensional (77,8%). A diferença entre os sexos quanto ao tipo de Cefaléia não é, contudo, estatisticamente significativa. Concluindo, os usuários de Internet têm um perfil de Cefaléia semelhante em relação ao sexo, apesar de um número maior de mulheres ter respondido o questionário.

 

INTRODUÇÃO

A cefaléia é uma queixa muito comum em consultórios médicos afetando cerca de 11 milhões de pessoas nos EUA11. É causa freqüente de sofrimento individual e acarreta gastos públicos elevados2, relacionados com perdas de dias de trabalho e diminuição da efetividade do mesmo9. Estudos revelam que o custo anual da perda de produtividade por cefaléia chega a 17 bilhões de dólares nos EUA 4.

Estudos têm mostrado ser a cefaléia mais freqüente em adultos jovens2 e mais prevalente no sexo feminino1,2,8,10 independente da faixa etária2,11.

Com o intuito de esclarecer aspectos relevantes dos fatores de risco relacionados às cefaléias, compreender seu impacto individual e social e contribuir para o aprimoramento constante dos critérios diagnósticos e terapêuticos, estudos epidemiológicos se justificam.

A crescente popularização da Internet mundialmente, especialmente nos países desenvolvidos, vem possibilitando sua utilização como fonte de dados para pesquisas. Os usuários da rede representam uma população predominantemente masculina e diferenciada, abrangendo ainda o segmento mais qualificado da sociedade, relativamente homogêneo5.

Tal fato, aliado à grande procura dos usuários da Internet pelo tema cefaléia, justifica a realização de um trabalho com o propósito de verificar a existência de diferenças nas características da cefaléia dessa amostragem segundo o sexo.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Elaborou-se um questionário padronizado segundo os critérios da Sociedade Internacional de Cefaléia (IHS)3, respondido via Internet, de março de 1997 a fevereiro de 1998.

Tal questionário encontrava-se disponível no site da Liga de Cefaléia de Marília, nas versões em inglês e em português, e podia ser acessado utilizando-se qualquer programa navegador, pelo seguinte endereço: http://www.widesoft.com.br/users/rssimone/cefaleia.htm

O site, desenvolvido com base na linguagem HTML, foi divulgado a nível mundial através de seu cadastramento nas principais ferramentas de busca ("search engines") da Internet.

O questionário utilizado continha informações sobre idade, sexo, profissão, idade de início, antecedentes familiares, localização da dor, freqüência, qualidade, intensidade (utilizando uma escala subjetiva de 0 a 10), duração, fenômenos neurológicos associados, antecedentes, agravantes, fatores de melhora e medicamentos utilizados – vide anexo 1.

Obteve-se 150 respostas, das quais 7 foram excluídas devido a preenchimento incorreto ou a incoerência de dados. A partir destas respostas, estabeleceu-se um diagnóstico presumido dos tipos de cefaléia com base nos critérios diagnósticos da IHS.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos 143 questionários analisados, 62,2% foram respondidos por mulheres e 37,8%, por homens. Provavelmente, essa considerável participação das mulheres tenha sido conseqüência da maior prevalência das cefaléias em geral nesse sexo 1,2, o que contribuiu para um maior interesse pelo tema.

A faixa etária de maior freqüência foi a de 19 a 44 anos em ambos os sexos, sendo 64,8% no masculino e 82,0% no feminino (tabela 1), que corresponde à população que mais faz uso da Internet5 e na qual as cefaléias são mais prevalentes 1,2.

Tabela 1 – Perfil da amostra segundo idade e sexo

Faixa Etária (em anos)

Sexo Masculino

Freqüência Percentual

Sexo Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Até 12

2

3,7

1

1,1

3

2,1

13 a 18

4

7,4

5

5,6

9

6,3

19 a 44

35

64,8

73

82,0

108

75,5

45 a 64

10

18,5

8

9,0

18

12,6

Acima de 65

3

5,6

2

2,3

5

3,5

Total

54

100,0

89

100,0

143

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Os brasileiros foram responsáveis por 44,5% das respostas do sexo masculino e por 32,6% do feminino (tabela 2). Isto talvez decorra do fato de o formulário utilizado estar disponível também em uma versão em português e ter sido amplamente divulgado em ferramentas de procura (search engines) nacionais. Apesar de o número de brasileiras ter sido maior que o de brasileiros, proporcionalmente a relação se inverteu em conseqüência de a participação feminina na Internet brasileira ainda não se equiparar à na mundial, mesmo que em ascensão5.

Tabela 2 – Perfil da amostra segundo nacionalidade e sexo

Sexo

Nacionalidade

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Estrangeira

Brasileira

30

24

55,5

44,5

60

29

67,4

32,6

90

53

62,9

37,1

Total

54

100,0

89

100,0

143

,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Dos 54 homens, 40,7% e 35,2% apresentaram ao menos um tipo de distúrbio visual e do sono, respectivamente. Tais taxas mostraram-se ligeiramente mais elevadas nas mulheres (58,4% e 48,3%, nesta ordem). Em relação à visão, as alterações mais comuns foram astigmatismo e miopia em ambos os sexos; já no sono, a insônia se destacou (tabela 3). A ausência de uma investigação mais minuciosa para estes aspectos impediu de relacioná-los com as características das cefaléias.

 

Tabela 3 – Caracterização da amostra segundo a visão e o sono

 

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

1. Visão            
Normal

32

56,1

37

39,0

69

45,4

Astigmatismo

9

15,8

27

28,4

36

23,7

Miopia

9

15,8

19

20,0

28

18,4

Hipermetropia

3

5,3

6

6,3

9

5,9

Outros

4

7,0

6

6,3

10

6,6

2. Sono            
Normal

35

57,4

46

48,9

81

52,2

Insônia

18

29,5

30

31,9

48

31,0

Bruxismo

5

8,2

12

12,8

17

11,0

Sonilóquio

3

4,9

2

2,1

5

3,2

Sonambulismo

0

0,0

4

4,3

4

2,6

Fonte: Site LC 1997-1998

Em 70,6% dos 51 homens que responderam ao item e em 84,3% das mulheres a história familiar de cefaléia esteve presente, sendo a mãe o parente mais citado, correspondendo a 24,7% das respostas masculinas e 28,3% das femininas (tabela 4). Provavelmente, essa alta freqüência de história familiar positiva, condizente com a literatura6, denote ser a transmissibilidade um dos fatores determinantes do risco aumentado de determinados tipos de cefaléia, especialmente migrâneas, em ambos os sexos e em todas as faixas etárias11.

 

Tabela 4 – Análise da ocorrência de história familiar no grupo estudado

História Familiar

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Mãe

18

24,7

32

28,3

50

26,9

Pai

10

13,7

14

12,4

24

12,9

Irmãos

10

13,7

14

12,4

24

12,9

Avós

7

9,6

17

15,0

24

12,9

Ausente

15

20,5

14

12,4

29

15,6

Outros

13

17,8

22

19,5

35

18,8

Total

73

100,0

113

100,0

186

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

A tabela 5 mostra que a maioria dos casos de cefaléia tem início até a adolescência e raramente após os 40 anos de idade em homens e mulheres, o que está de acordo com os próprios critérios das cefaléias mais comuns3.

 

Tabela 5 – Perfil da amostra segundo idade de início e sexo

Faixa Etária

(em anos)

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Até 12

19

35,2

26

29,2

45

31,5

13 a 18

12

22,2

33

37,1

45

31,5

19 a 40

15

27,8

26

29,3

41

28,6

41 a 50

3

5,6

0

0,0

3

2,1

Acima de 50

4

7,4

2

2,2

6

4,2

Não responderam

1

1,8

2

2,2

3

2,1

Total

54

100,0

89

100,0

143

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Analisando as características clínicas das cefaléias (tabela 6), observou-se predomínio de bilateralidade no sexo feminino (42,7%) e igual proporção de bilateralidade e unilateralidade variável no masculino (35,2%). Quanto à freqüência, houve um discreto predomínio de dor constante. Pela nota atribuída à dor, verificou-se que, para o homem, a dor é classificada como sendo um pouco mais intensa do que para a mulher, apesar de, em ambos, a maioria qualificá-la como severa (maior que 7) – 76% dos homens e 71,9% das mulheres. Geralmente a dor começa gradualmente, dura de 1 a 12 horas e tem características pulsáteis ou em pontada.

 

Tabela 6 – Caracterização clínica da cefaléia segundo o sexo

Características

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

1. Lateralidade            
Bilateral

19

35,2

42

47,2

61

42,6

Unilateral Variável

19

35,2

18

20,2

37

25,9

Unilateral Direito

7

13,0

13

14,6

20

14,0

Unilateral Esquerdo

5

9,2

9

10,1

14

9,8

Não Responderam

4

7,4

7

7,9

11

7,7

2. Freqüência            
Constante

27

50,0

52

58,4

79

55,2

Ocasional

25

46,3

36

40,5

61

42,7

Não Responderam

2

3,7

1

1,1

3

2,1

3. Intensidade            
1-2

1

1,9

1

1,1

2

1,4

3-4

4

7,4

5

5,6

9

6,3

5-6

5

9,2

18

20,3

23

16,1

7-8

16

29,7

33

37,1

49

34,3

9-10

25

46,3

31

34,8

56

39,1

Não Responderam

3

5,5

1

1,1

4

2,8

3. Começo            
Gradual

34

63,0

55

61,8

89

62,2

Súbito

16

29,6

32

35,9

48

33,6

Não Responderam

4

7,4

2

2,3

6

4,2

4. Duração            
Transitória

4

7,4

2

2,2

6

4,2

Até 29 minutos

3

5,5

2

2,2

5

3,5

30 a 59 minutos

4

7,4

5

5,6

9

6,3

1 a 12 horas

17

31,5

23

25,9

40

27,9

12 a 24 horas

5

9,3

18

20,3

23

16,1

1 a 7 dias

8

14,8

21

23,6

29

20,3

2 semanas a 1 ano

8

14,8

8

9,0

16

11,2

Mais de 1 ano

5

9,3

8

9,0

13

9,1

Não Responderam

0

0,0

2

2,2

2

1,4

5. Qualidade            
Pulsátil

18

33,3

27

30,3

45

31,4

Pontada

16

29,6

21

23,6

37

25,9

Tensão

8

14,8

19

21,4

27

18,9

Aperto

5

9,3

12

13,5

17

11,9

Queimação

2

3,7

3

3,4

5

3,5

Choque

0

0,0

1

1,1

1

0,7

Outra

4

7,4

6

6,7

10

7,0

Não Responderam

1

1,9

0

0,0

1

0,7

Fonte: Site LC 1997-1998

No sexo masculino, a localização mais freqüente foi a temporal (22,5%), seguida pela parietal (18,8%); já no feminino preponderou a parietal (24,4%), seguida pela temporal e frontal (17,9% cada) – tabela 7.

 

Tabela 7 – Caracterização da cefaléia segundo a localização e o sexo

Localização

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Parietal

15

18,8

30

24,4

45

22,2

Temporal

18

22,5

22

17,9

40

19,7

Frontal

13

16,2

22

17,9

35

17,2

Orbital

9

11,3

18

14,6

27

13,3

Occipital

13

16,2

14

11,4

27

13,3

Nuca

10

12,5

12

9,8

22

10,8

Maxilar

2

2,5

4

3,2

6

3,0

Pescoço

0

0,0

1

0,8

1

0,5

Total

80

100,0

123

100,0

203

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Apresentaram algum tipo de fenômeno acompanhante 90,6% dos 53 homens que responderam e 88,5% das 87 mulheres que responderam ao item. De acordo com a tabela 8, a fotofobia foi o sintoma mais freqüentemente citado, totalizando 20,8% das respostas do sexo masculino e 19,9% das do feminino, de maneira semelhante aos dados verificados em outros trabalhos7.

 

Tabela 8 – Incidência dos fenômenos acompanhantes segundo o sexo

Acompanhantes

Masculino

nº %

Feminino

nº %

Acompanhantes

Masculino

nº %

Feminino

nº %

Palidez

6

6,3

9

5,4

Visão turva

4

4,2

6

3,6

Sudorese

2

2,1

3

1,8

Hiperemia conjuntival

6

6,3

4

2,4

Palpitação

0

0,0

3

1,8

Lacrimejamento

1

1,0

4

2,4

Xerostomia

3

3,1

2

1,2

Fotofobia

20

20,8

33

19,9

Halitose

0

0,0

1

0,6

Ptose palpebral

3

3,1

7

4,2

Piloereção

1

1,0

0

0,0

Rubor facial

4

4,2

4

2,4

Náuseas/Vômitos

8

8,3

15

9,0

Coriza

3

3,1

4

2,4

Dor abdominal

2

2,1

2

1,2

Obstrução nasal

6

6,3

12

7,2

Diarréia

2

2,1

4

2,4

Nada

5

5,2

10

6,0

Anorexia

5

5,2

13

7,9

Outros

11

11,4

17

10,3

Olheiras

4

4,2

13

7,9

Total

96

100,0

166

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Fenômenos neurológicos associados foram citados por 71,7% dos 46 homens e 68,9% das 74 mulheres que responderam à questão. O sintoma mais mencionado pelo sexo masculino foi a vertigem, com 20,0% das respostas, e pelo feminino, a paresia, com 14,9% (tabela 9).

 

Tabela 9 – Incidência dos fenômenos neurológicos associados segundo o sexo

Fenômenos Neurológicos

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Vertigem

11

20,0

11

11,7

22

14,8

Paresia

5

9,1

14

14,9

19

12,7

Escotomas

4

7,3

9

9,5

13

8,7

Incoordenação

5

9,1

7

7,4

12

8,1

Zumbido

1

1,8

6

6,4

7

4,7

Afasia

3

5,5

4

4,3

7

4,7

Hemianopsia

2

3,6

4

4,3

6

4,0

Alteração da consciência

2

3,6

3

3,2

5

3,4

Paralisia

0

0,0

4

4,3

4

2,7

Diplopia

2

3,6

0

0,0

2

1,3

Nada

13

23,7

23

24,5

36

24,2

Outros

7

12,7

9

9,5

16

10,7

Total

55

100,0

94

100,0

149

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

A questão referente à tabela 10 foi respondida por 92,6% dos homens. Destes, 42,0% referiram algum fenômeno antecedente, sendo que o mais citado foi o nervosismo. Já nas mulheres, a questão foi respondida por 94,4% delas, sendo que, destas, 52,4% relataram algum fenômeno, com destaque para a hiperosmia. Vale ressaltar a necessidade de uma especificação mais detalhada quanto aos fenômenos antecedentes, já que a maioria das pessoas que possuíam alguma manifestação não encontraram opção mais adequada (13,6% do total).

 

Tabela 10 – Incidência de fatores antecedentes da dor segundo o sexo

Fenômenos Antecedentes

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Hiperosmia

4

7,3

11

11,9

15

10,2

Nervosismo

5

9,1

8

8,7

13

8,9

Avidez por doces

3

5,5

8

8,7

11

7,5

Depressão

2

3,6

6

6,5

8

5,4

Euforia

3

5,5

3

3,3

6

4,1

Polidipsia

2

3,6

3

3,3

5

3,4

Nada

29

52,7

40

43,5

69

46,9

Outros

7

12,7

13

14,1

20

13,6

Total

55

100,0

92

100,0

147

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Dos 49 homens que responderam à questão, 85,7% mencionaram algum fator agravante e/ou desencadeante, destacando-se o barulho. Entre as 87 mulheres que responderam, 94,2% citaram algum fator descrito na tabela 11, com maior freqüência para tensão emocional.

 

Tabela 11 – Incidência dos fatores agravantes e/ou desencadeantes segundo o sexo

Agravantes Desencadeantes

Masculino

nº %

Feminino

nº %

Agravantes Desencadeantes

Masculino

nº %

Feminino

nº %

Menstruação

0

0,0

17

10,2

Alterações climáticas

3

3,4

9

5,4

Esforço físico

8

9,2

8

4,8

Barulho

13

14,9

19

11,3

Ato sexual

8

9,2

1

0,6

Odores

5

5,8

14

8,4

Movimentação cervical

3

3,4

6

3,6

Fumo

4

4,6

6

3,6

Tensão muscular

2

2,3

10

6,0

Bebidas alcoólicas

8

9,2

17

10,2

Mastigação

1

1,2

1

0,6

Drogas ilícitas

1

1,2

0

0,0

Gravidez

0

0,0

2

1,2

Medicamentos

1

1,2

1

0,6

Traumatismo

0

0,0

2

1,2

Alimentos

2

2,3

9

5,4

Repouso prolongado

1

1,2

6

3,6

Nada

7

8,0

5

3,0

Esforço visual

7

8,0

6

3,6

Outros

4

4,6

6

3,6

Tensão emocional

9

10,3

22

13,1

Total

87

100,0

167

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

Tiveram fatores atenuantes 92,0% das 88 mulheres e 76,9% dos 52 homens que responderam ao item. Os analgésicos e o sono se destacaram em ambos os sexos (tabela 12).

 

Tabela 12 – Ocorrência de fatores atenuantes segundo o sexo

Fatores

Atenuantes

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Analgésicos

19

22,1

36

25,1

55

24,0

Sono

14

16,3

27

18,9

41

17,9

Repouso

9

10,5

23

16,1

32

14,0

Ambiente escuro

12

13,9

16

11,2

28

12,2

Compressão da artéria temporal

5

5,8

10

7,0

15

6,6

Determinadas posições

5

5,8

7

4,9

12

5,2

Férias

1

1,2

3

2,1

4

1,7

Descongestionantes nasais

1

1,2

1

0,7

2

0,9

Gravidez

0

0,0

0

0,0

0

0,0

Nada

12

13,9

7

4,9

19

8,3

Outros

8

9,3

13

9,1

21

9,2

Total

86

100,0

143

100,0

229

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

 

Dos 45 homens que responderam à questão, 86,7% fazem uso de um ou mais dos medicamentos especificados na tabela 13, sem, contudo, estarem necessariamente relacionados ao tratamento das cefaléias. Nas mesmas condições, encontram-se 94,8% das 77 mulheres que responderam ao item.

Em ambos os sexos os analgésicos predominaram, com 42,9% do total de respostas, o que levanta problemáticas como o uso indiscriminado de medicamentos e a auto-medicação, a tolerância medicamentosa e, por fim, a cronificação da cefaléia.

 

Tabela 13 – Análise dos medicamentos utilizados segundo o sexo

Medicamentos

Masculino

nº %

Feminino

nº %

Medicamentos

Masculino

nº %

Feminino

nº %

Analgésicos

26

52,0

56

39,7

Venotônico/Vasculoprotetor

0

0,0

2

1,4

Anti-enxaquecosos

2

4,0

22

15,6

Anti-hiperlipidêmicos

0

0,0

2

1,4

Anti-depressivos

2

4,0

5

3,6

Indutores do sono

0

0,0

2

1,4

Anti-hipertensivos

1

2,0

5

3,6

Ansiolíticos

0

0,0

1

0,7

Miorrelaxantes

0

0,0

5

3,6

Vasodilatadores

0

0,0

1

0,7

Anti-epilépticos

2

4,0

3

2,1

Nada

6

12,0

4

2,8

Anti-espasmódicos

1

2,0

3

2,1

Outros

10

20,0

28

19,9

Anti-eméticos

0

0,0

2

1,4

Total

50

100

141

100

Fonte: Site LC 1997-1998

Com base nos critérios de 1988 da Sociedade Internacional de Cefaléia3 foi possível a classificação de 42,7% dos questionários. Destes, 80,0% dos do sexo masculino e 65,8% dos do feminino enquadraram-se no diagnóstico de migrânea, sendo a migrânea com aura a mais freqüente em ambos os sexos (tabela 14).

 

Tabela 14 – Diagnósticos presumidos pelos critérios da IHS-1988 segundo o sexo

Diagnósticos Presumidos

Masculino

Freqüência Percentual

Feminino

Freqüência Percentual

Total

Freqüência Percentual

Migrânea com aura

10

50,0

19

46,3

29

47,5

Migrânea sem aura

6

30,0

8

19,5

14

23,0

Cefaléia Tensional

4

20,0

14

34,2

18

29,5

Total

20

100,0

41

100,0

61

100,0

Fonte: Site LC 1997-1998

 

CONCLUSÃO

De maneira geral, não houve diferença significativa nas características das cefaléias segundo o sexo em usuários da Internet. Também não se obteve relação estatística significativa entre o fato de ser homem e mulher e ter migrânea e cefaléia tensional, pelo fato de a totalidade das respostas ser de portadores de cefaléia.

Pela alta sensibilidade do questionário utilizado, houve um direcionamento para o diagnóstico de migrânea com aura a despeito da sem aura, o que, no entanto, dificultou a inclusão da maioria dos questionário restantes nos critérios diagnósticos da IHS. Além disso, esta dificuldade foi agravada pelo fato de o preenchimento não ter tido acompanhamento profissional e pela presença de algumas questões de caráter subjetivo relacionadas à dor, o que não garante total fidedignidade das respostas.

Com base na elevada incidência dessa afecção e no grande interesse da população acerca do tema, vê-se necessário um maior incentivo às pesquisas na área e a realização de campanhas de esclarecimento a respeito das possibilidades de tratamento.

 

BIBLIOGRAFIA

 

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